{"id":17546,"date":"2025-10-02T18:29:56","date_gmt":"2025-10-02T21:29:56","guid":{"rendered":"https:\/\/prefeitosegovernantes.com.br\/?p=17546"},"modified":"2025-10-02T18:29:56","modified_gmt":"2025-10-02T21:29:56","slug":"111-anos-porto-velho-ro-entre-o-ontem-pacato-e-o-hoje-de-desafios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribalmidia.com.br\/?p=17546","title":{"rendered":"111 Anos &#8211; Porto Velho RO entre o ontem pacato e o hoje de desafios\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Que tempos! Onde se curtira em del\u00edrio as Manh\u00e3s de sol na quadra do Ferrovi\u00e1rio, filmes no Cine Resky, torcidas inflamadas no Est\u00e1dio Alu\u00edzio Ferreira&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antigamente era assim: quando o trem apitava na Esta\u00e7\u00e3o Madeira-Mamor\u00e9, a cidade ainda<br>sonhava. Pouca luz clareava ruas e casas. Dormia-se de janelas abertas, sem medo, porque a<br>viol\u00eancia ainda n\u00e3o tinha encontrado endere\u00e7o por aqui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Asfalto? Nem em sonho. Nos lares, o respeito aos pais era lei silenciosa, a paz reinava e os<br>sorrisos faziam festa. Porto Velho era singela: uma linha de ferro, barcos subindo e descendo o<br>Rio Madeira, levando e trazendo esperan\u00e7as. \u201cL\u00e1 pras bandas de baixo\u201d, dizia o caboclo,<br>vinham borracha, sernambi, poaia e castanha. \u201cEita tempo de cabra macho!\u201d.<br>O cen\u00e1rio amaz\u00f4nico de belezas naturais era um quadro vivo: pregui\u00e7as lentas, araras<br>colorindo o c\u00e9u, papagaios cruzando com o verde das matas virgens. Bastava deixar a cidade<br>\u2014 que terminava pelo Mercado do Km 1 \u2014 e l\u00e1 estavam os caititus, veados, antas, pacas, cotias<br>e at\u00e9 a \u201cpapagaia\u201d, a cobra voadora que assustava e fascinava.<br><br>Dos \u00edndios ecoavam hist\u00f3rias de flechas certeiras e encontros fatais, lembrando que a floresta<br>tinha donos antes da cidade. Mas, apesar disso, Porto Velho era pouso de ternura, onde a<br>fam\u00edlia era altar e a vida se desenhava em simplicidade.<br>Que tempos! Onde se curtira em del\u00edrio as Manh\u00e3s de sol na quadra do Ferrovi\u00e1rio, filmes no<br>Cine Resky, torcidas inflamadas no Est\u00e1dio Alu\u00edzio Ferreira com Moto Clube, Flamengo,<br>Botafogo, S\u00e3o Domingos, Vasco, Cruzeiro, \u201cFerrim\u201d e Ipiranga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Lembran\u00e7as tamb\u00e9m do Col\u00e9gio Dom Bosco e das meninas do Maria Auxiliadora, desfilando de<br>azul e branco, puras como as \u00e1guas de inverno. Recordo da Escola Samaritana, fechada em sil\u00eancio, sem nenhum protesto. Do Dan\u00fabio Azul,<br>do Bancr\u00e9vea Clube e da Casa Saudade, reduto da moda e da elite. Na R\u00e1dio Caiari, Ronaldo<br>Medeiros encantava crian\u00e7as com teatrinho infantil, enquanto Ant\u00f4nio Fonseca, Edinho<br>Marques, Lucivaldo Souza, Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio e Luiz Augusto, espalhavam m\u00fasica e informa\u00e7\u00f5es<br>nos lares da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Ficam as mem\u00f3rias do Porto Velho Hotel \u2014 hoje Unir Centro \u2014, da litorina, dos cassacos, dos<br>banhos de igarap\u00e9 e do catecismo duro do Padre M\u00e1rio, bra\u00e7a \u00e0 be\u00e7a. Os jornais \u201cO Alto<br>Madeira\u201d e \u201cO Guapor\u00e9\u201d davam not\u00edcias com improviso, mas com alma.<br>Domingo, a missa era a das oito na Catedral, com ele os serm\u00f5es vibrantes de Dom Jo\u00e3o Batista Costa e o sacrist\u00e3o \u201cBeleza\u201d puxando o sino, impondo sil\u00eancio \u00e0 meninada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Lembran\u00e7a das festas de gala, das cal\u00e7as de linho branco engomada, estalando, a Baixa do<br>Uni\u00e3o e o time que virou Botafogo, onde meu pai, seu Ary do Carmo, deixou marcas no esporte.<br>A cidade crescia e logo vieram os primeiros acordes musicais \u2014 Jo\u00e3o Miguel no sax, Manga<br>Rosa no trombone, Adamor na bateria. No com\u00e9rcio, o Supermercado Teixeira, foi pioneiro,<br>onde o pr\u00f3prio dono, Seu Teixeira, recebia clientes na porta. Era um mundo de sonhos, r\u00e1pido<br>como trem na linha, mas eterno na mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Depois, a ambi\u00e7\u00e3o: ouro, cassiterita, e madeira. Homens chegavam de todos os cantos como<br>andorinhas de arriba\u00e7\u00e3o. O costume da dobra e a dobra dos costumes. A boemia tinha suas<br>\u201cAnitas\u201d e \u201cMaria Eunices\u201d, que com tempo apareciam e desapareciam na dan\u00e7a da<br>modernidade portovelhense.<br>Hoje, Porto Velho se debate com seus fantasmas. Assaltos, furtos, drogas e v\u00edcios fizeram dos<br>lares fortalezas. Grades sobem at\u00e9 o teto, c\u00e3es ferozes guardam quintais, moradores vivem<br>trancados. O medo se espalhou: tiros no escuro, tr\u00e2nsito ca\u00f3tico, vidas que se esvaem nos<br>corredores do Jo\u00e3o Paulo II.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>A cidade cresceu: pr\u00e9dios de apartamento, shopping, viaduto, rodovi\u00e1ria nova e conjuntos<br>como Orgulho do Madeira, Morar Melhor, Cristal da Calama, cidades dentro da pr\u00f3pria cidade.<br>Mas cresceu tamb\u00e9m a desigualdade: falta de saneamento, sobra viol\u00eancia e aus\u00eancia de \u00e1gua<br>confi\u00e1vel. Porto Velho \u00e9 hoje um mosaico de contrastes \u2014 mem\u00f3ria doce de ontem contra a<br>realidade dura de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Ainda assim, a esperan\u00e7a resiste em seu povo. Ela aparece no sorriso de uma crian\u00e7a na pra\u00e7a,<br>no p\u00f4r do sol dourando o Madeira, no Dick da Madeira Mamor\u00e9, e na f\u00e9 de um povo que insiste<br>em n\u00e3o desistir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>E, agora, a cidade se projeta tamb\u00e9m na aposta de que o prefeito L\u00e9o Moraes possa ser o<br>timoneiro de uma nova face para a capital rondoniense, resgatando a ternura perdida de ontem<br>sem abrir m\u00e3o da modernidade necess\u00e1ria de hoje.<br>QUE ASSIM SEJA!<br>SALVE PORTO VELHO NOS SEUS 111 ANOS. A FESTA \u00c9 DE TODOS N\u00d3S.<br>Am\u00e9m!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por: Arimar Souza de S\u00e1<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/rondonoticias.com.br\/noticia\/capital\/146409\/porto-velho-entre-o-ontem-pacato-e-o-hoje-de-desafios---por-arimar-souza-de-sa\">Portal Rondonoticias<\/a><br>Publicada em: 02\/10\/2025 10:03:46 <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que tempos! Onde se curtira em del\u00edrio as Manh\u00e3s de sol na quadra do Ferrovi\u00e1rio, filmes no Cine Resky, torcidas inflamadas no Est\u00e1dio Alu\u00edzio Ferreira&#8230; Antigamente era assim: quando o trem apitava na Esta\u00e7\u00e3o Madeira-Mamor\u00e9, a cidade aindasonhava. Pouca luz clareava ruas e casas. 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